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Instituto Art Déco Brasil


Passeio pelo Art Déco do Brasil

Cidade apresentada: Salvador

- Divulgação de material próprio

Caros décophiles,

Passeio pelo Brasil Art Déco chegando à histórica Salvador. Bahia querida, de Todos os Santos, de muitos ícones do estilo.

A historiadora e editora Nubia Melhem Santos colheu ingredientes e temperou levemente (pra estrangeiros) no dendê. Uma baiana arretada, da equipe do Instituto Art Déco Brasil no projeto cultural - livro, documentário e exposição - da Casa de Laranjeiras da Sérgio Castro Imóveis. Importante resgate Art Déco, dos irmãos Sérgio Castro Júnior e Claudio André de Castro-Bourbon que em breve resenharemos, arquitetura by Mauricio Prochnik.

Interessante perceber que mais uma cidade brasileira tem como símbolo construção Art Déco. O Elevador Lacerda, de 1929 por Christiani & Nielsen, arquitetura de Fleming Thiesen , assessorado por Anton Floderer e Robert Prentice, com 73,5 metros de concreto e ponte de 71 metros de vão, conectando a Cidade Baixa com a Cidade Alta. Boa companhia para ícones Art Déco do Rio – o Cristo Redentor, a Central do Brasil...e de São Paulo – o edifício do Banespa, o Monumento às Bandeiras... Brasil, um país Art Déco!

Alguém conhece um prédio residencial mais alinhado com a estética “paquebot” do que o Edificio Oceania (1932-1942)? Talvez o carioca Ipú, no Russel, não é, Ronald Pimentel?

Matéria rara d’O Cruzeiro de 1943 segue. Sobre as ondas da Praia da Barra, teve um período de decadência, mas hoje é objeto de desejo... Mesmo com as varandas fechadas, em que dialogavam cheios e vazios, ainda é muito belo.

Uma coincidência que ainda não conseguimos decifrar é sobre a construtora. No Rio, tivemos a Companhia Brasileira de Imóveis e Construções, a CBIC, fundada em 1911 por Antônio Richard. Em Salvador aparece a Companhia Brasileira Imobiliária e Construções, quase homônima. No texto sobre “Salvador Art Déco” de Naia Alban Soares, in Anais do 1º Seminário Internacional Art Déco na América Latina, Copcabana Palace, Rio 1996, logo depois do meu texto “As Artes Decorativas no Rio entre 1920 e 1945” esta firma é mencionada. O projeto de arquitetura é assinado pela dupla carioca Freire e Sodré, autores de outros prédios “paquebots” marcantes no Rio: o Edificio Embaixador, na avenida Atlântica e a casa Oliveira Castro na avenida Epitácio Pessoa.

Enfim, o Oceania é um dos mais importantes prédios Art Déco no Brasil, inovador até nos multiusos, pois além de nove andares de residências, possuía cassino, cine-teatro, restaurante, garagem no subsolo e apartamentos para empregados na cobertura.

Outra vertente do Art Déco, a Nativista, genuínamente brasileira, encontra em Salvador um dos seus expoentes: o Instituto do Cacau (1933-1936). Também construção Christiani & Nielsen, comprova que a decoração interna inspirada na cultura dos povos indígenas da Ilha de Marajó entre os anos 400 e 1500 era um casamento perfeito com as linhas vanguardistas da arquitetura. Nada mais moderno do que ser nacionalista!

Uma das principais praças de Salvador, a Praça Castro Alves, exibe dois prédios importantes do estilo: a Secretaria de Educação, e a sede do jornal A Tarde. Alô Vera Bocayuva, alô Vera Simões Bainville! Na foto antiga que mostramos, se vê, entre os dois edificios, o inicio da Rua Chile, com sua esquina ocupada pelo Palace Hotel, de 1934, e que acaba de ser restaurado. Viva Salvador! Restaurem tudo! Do Século XVII ao XX, não deixem morrer esta história viva, aula a céu aberto da arquitetura brasileira!

Próxima parada: Campina Grande, Paraíba. Ah, surpresos? Conta pra eles, Lia Mônica Rossi. Art Déco Sertanejo de raiz. Aguardem. Lia Mônica Rossi, primeira associada do Instituto Art Déco Brasil.